O Efeito Corona, também conhecido como fogo de Santelmo ou Descarga de Corona, é muito comum em linhas de transmissão. Ele aparece na superfície dos condutores que se tornam ionizados, gerando uma manifestação luminosa. Trata-se, portanto, de um efeito fotoquímico que surge a partir da deformação do campo elétrico. Dessa forma, vamos aprender o que é Efeito Corona e como identificar.

A ocorrência do efeito depende da exposição de componentes elétricos ao meio-ambiente. Partículas de ar, vapor d’água e poeira encontradas ao redor dos condutores podem influenciar na ionização. Isto acontece quando a combinação é submetida a um campo elétrico elevado e de grande intensidade.

Este campo faz com que os elétrons livres se acelerem. Ao se carregarem com energia, eles passam a se chocar com átomos, formando novos elétrons. Tal fenômeno, denominado ionização por impacto, é o que gera a luz que caracteriza a Descarga de Corona. Desse modo, ela pode gerar ainda energia acústica e radiações eletromagnéticas.

O que causa o efeito corona e que problemas ele pode ocasionar?

Basicamente, o efeito demanda que exista a deformação do campo elétrico do componente afetado. A causa por trás disto costuma ser a mudança na geometria do material. Ocasionada, sobretudo, por acúmulo de detritos em sua superfície. Ademais, em linhas de transmissão com sobrecarga, o fenômeno também é comum. A degradação dos componentes – isoladores ou condutores com defeito – é outra razão.

É importante registrar que o efeito corona gera perda de eletricidade. A variação é considerável e pode ir a uma centena de quilowatts. Momentos de chuva ou garoa são aqueles onde é mais comum ocorrer a descarga com eventual perda. Além de diminuir a capacidade elétrica nas linhas de transmissão e distribuição, há outras consequências negativas.

O material do isolamento interno, por exemplo, pode sofrer danos. O que pode levar transformadores, geradores, motores e capacitores a queimar. A perda acontece em componentes ou no equipamento como um todo. Na transmissão e distribuição, subestações e a própria linha podem ser prejudicadas. Apesar disto, é possível explorar a descarga positivamente.

efeito corona
foto: @engenharia_de_lts (Eng Eletricista Paulo Oliveira)

Quais suas possíveis aplicações?

Enquanto fenômeno a descarga de corona não é apenas um risco. Também podemos encontrá-la em diversas aplicações na indústria e no comércio. Alguns exemplos mais comuns são:

• Fabricação de ozônio;

• Propulsão iônica;

• Fotocópia;

• Laser de nitrogênio;

• Fabricação de eletretos;

• Remoção de cargas elétricas indesejáveis presentes na superfície de aeronaves durante o voo;

• Limpeza das partículas de ar em sistemas de ar condicionado;

• Filmes poliméricos que melhoram a compatibilidade com adesivos ou tintas para impressão.

Desta forma, o Efeito Corona pode ser produzido intencionalmente. Nos sistemas elétricos, por outro lado, ele demanda atenção. O ideal é recorrer à utilização de tecnologias preditivas. Dentre aquelas que podem detectar a descarga estão a detecção na lua nova, análise por ultrassom e a tecnologia ultravioleta.

Estes são os principais detalhes sobre o efeito, sua natureza e identificação. Para cursos na área de manutenção elétrica, faça uma visita ao nosso site. Você encontrará também artigos variados sobre o assunto, além de equipamentos para testes, medições e outras atividades na área.

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